Rolé por Torres del Paine.

Família Murdock: Rumo a Paine

15:09 @ 12/07/2006

Família Murdock: Rumo a Paine

 

         Olá viajantes!!! Saudações patagônias (ou seria patagônicas :0|  )!

 

Saímos de Punta Arenas em direção ao Puerto Natales, também no Chile.

 

De Puerto Natales é que sai as principais excursões para o parque nacional Torres Del Paine, embora em Punta Arenas também encontram-se várias agências de turismo oferecendo o passeio.

 

São somente 03 horas de viagem até Puerto Natales; o tempo passa rápido.

 

         Quando estamos descendo do ônibus, a mesma situação: dezenas de pessoas voam em cima de você oferecendo estadia; mal deixam você pegar a sua bagagem. Praticam, praticamente, os mesmos preços. Procure saber o que cada um tem a mais a te oferecer, pois isso pode ser a diferença entre um quarto com suíte e calefação a um quarto coletivo com beliche sem calefação e janela quebrada… pode acreditar.

 

Seguindo a idéia do post anterior, vamos saber mais sobre Puerto Natales

 

 


 

 

         Com horizonte ocupado pela imagem das montanhas nevadas da Cordilheira dos Andes, Puerto Natales, com aproximadamente 18.000 hab. é invadida no verão por mochileiros de todo o mundo.

        

         Capital da província de  Última Esperanza, na região de Magalhães, muitas de suas casas de madeira foram construídas por ingleses e alemães, que décadas antes colonizaram parte do território.

 

         A maior razão para atrair turistas do mundo inteiro é, sem dúvida, por ser o principal acesso para o Parque Nacional Torres Del Paine. Assim, não são muitos os viajantes que passam muito tempo na cidade, embora seja uma ótima cidade para descansar.

 

A Cidade

 

 

         Em 1557, os navegadores espanhóis Juan Fernandez de Ladrillero e Pedro Sarmiento de Gamboa, tentando encontrar a parte ocidental do Estreito de Magalhães, depararam-se com a enseada que classificariam de Última Esperanza, daí o nome da província.

          Devido à distância e à resistência indígena, a ocupação efetiva só começou em 1893, quando o alemão Hermann Eberhard iniciou a exploração da região oeste da Patagônia Chilena.

                      

 

         Em 1911 o município foi fundado e atualmente vive muito em função do turismo de Torres Del Paine, especialmente na alta temporada, de outubro ao início de abril. No restante do ano, frio intenso. Os hotéis e restaurantes que não fecham, apresentam queda vertiginosa nos preços.

 

Clima

 

            Inverno e verão são épocas bem distintas na cidade. Janeiro é o mês mais quente,com temperaturas que oscilam entre 6ºC e 17ºC e em julho, varia entre -3ºC e 5ºC, mas os ventos fortes dão sensação de frio mais intenso.

 

 

 

Visão da enseada Última Esperanza

 

 

 


 

 

Bem, estava negociando nossa hospedaria quando tiro do bolso o papel que a amiga da Ely nos deu em Punta Arenas. Daí a chilena grita “soy yo! Soy yo! (sou eu, sou eu)”.

 

“Ok, ok, já entendi. Quanto?” tem quarto privado? Calefação? Etc. “etc”, perguntei. “CP$ 4.000,00 per persona” respondeu a chilena.

 

Puxa vida, tudo aqui começa com quatro mil?

Fechamos com ela. A casa dela é bem próxima à garagem das Bus Sur.

 

Segue dados da nossa hospedaria em Puerto Natales:

 

 

Nome

RESIDENCIAL HOUSE FRIENDS

Classe

HOSTAL-RESIDENCIAL

Classificação

SEM CLASSIFICAÇÃO

Temporada

Todo o ano

Vigência de Tarifas

De 01/04/2005 al 01/04/2006

Endereço

CHORILLOS 779

Telefone

(61) 414070

Serviços Inclusos

Café da Manhã e custódia de equipamentos

 

 

 

         Eu não sei há quanto tempo ela está oferecendo esse serviço, mas pareceu que era há pouco tempo.

 

         A casa, bem, é bem simples. Na tem calefação nos cômodos, somente nos corredores. Na cozinha, ela liga o forno e deixa a tampa aberta… Um perigo para os dois filhos que vivem com ela. 01 com 10 anos (Miguel) e outro recém nascido (Pedro) com aproximadamente 08 meses.

 

         Existem dois banheiros (limpos, mas precisando de reforma) que são divididos por sexo; porém, quando um utiliza o chuveiro quente, o outro para de funcionar. Imagina qual não foi a surpresa descobrir isso durante o banho… pulei mais do que não sei o quê.

 

         Em virtude disso, recomendo que escolham outro residencial ou mesmo hostel para ficar.

 

         A chilena é muito simpática e atenciosa, por isso me da pezar em não recomendar a residência delas para vocês ficarem; no entanto, todos praticam o mesmo preço, logo, não faz sentido pagar mais por menos. E nos, viajantes, sabemos como faz diferença uma noite de sono bem dormida.

 

CDica para os viajantes: No site da Secretaria de Turismo do Chile, tem a lista atualizada de hospedagens, hostels, campings e residenciais, atualizada para todo o território chileno. Faca sua pesquisa em:

http://www.sernatur.cl/

 

         Os filhos dela, não dão trabalho; nem o bebe, tão pouco o Miguel, do qual me tornei amigo.

        

         Na casa dela, como na maioria dos residenciais, além do serviço de dormida, funciona também lavanderia, agência de turismo, venda de passagens, livros e mapas.

Achei muito interessante o jeito de eles se virarem. Fazem de tudo.

 

         Logo perguntei sobre excursões para Paine. Ela falou que tinha transfer (ida e volta) de ônibus custando CP$ 12.000 (Você não viu errado não. São DOZE MIL, MESMO!!!) por pessoa. Quase caio pra trás, quando ela me dá esse preço.

 

         Eu, como sempre, esperto, não fechei com ela. Fofinha, devido ao frio, quis ficar em casa, brincando com o Pedrinho, daí segui para o centro de informações turísticas que tinha visto logo na entrada da cidade.

 

CDica para os viajantes: O serviço de atendimento ao turista no Chile é muito bom e encontra-se com facilidade nas principais cidades turísticas. Lá eles têm informações importantes como preço, horários, etc., além de fornecer mapas e guia de serviços (cambio, lavanderia, etc).

Em Puerto Natales fica na Av. Costanera Pedro Montt s/nº Atendimento em Inglês e espanhol.

 

         Bem, qual não foi a minha surpresa quando procurei saber sobre transfers para Torres Del Paine: o mais barato custava CP$ 15.000 por pessoa.

 

         Saí de lá feito foguete para fechar com a chilena antes que acabassem as vagas. Com a cara mais lambida do mundo, achando que era esperto, fechei com ela a CP$ 12.000 por pessoa (e uma senhora dor no bolso). Aquele pedacinho que ficamos na cidade, já tinha gastado CP$ 38.000 ou US$ 76,00. Isso, nós ainda nem tínhamos jantado…

 

         Naturalmente, corri para o cambio mais próximo. E, adivinha? O cambio em Puerto Natales não é favorável. Estavam cotando muito abaixo da cotação de mercado. Eu, como sempre me achando muito esperto, não tinha trocado muito dinheiro em Punta Arenas. Resultado: com o mapinha na mão, fui a vários lugares tentando trocar moeda, mas a variação era muito pouca. Encontrei um banco. Ótimo (pensei), bancos só podem praticar cotação oficial. Fui entrando e… fechado!!!

A sorte não estava do meu lado. Refém da situação, perdi dinheiro no cambio, mas foi o jeito.

 

         Saímos à noite, procurando onde jantar. As mochilas já estavam arrumadas e seria nossa última refeição descente, pelo menos pelos próximos 05 dias, que seriam os dias que iríamos fazer o treking e acampar.

 

         Encontramos o La Picada do Carlitos Calle Blanco Encalada 444.

Lugar extremamente agradável; não é sofisticado e é muito freqüentado por nativos. Dentre os seus pratos principais, preparados pelo próprio Carlitos, tem um sanduíche monstruoso (CP$ 2.500) e peixes e frutos do mar, além da Picada (sem piadas, ok?) custando CP$ 3.000 ½ porção.

 

         Só para esclarecer, a Picada é um prato típico chileno. Uma misturada de batata-frita, com chouriço, carne picada, presunto, ovo, etc. Enfim, é uma refeição mesmo. Eu pedi meia porção e suei para comer tudo, pois vem muito bem servido.

 

         Fofinha, mais light, pediu salmão.

Meu amigo, diga aí, quanto custava o salmão? Menos de R$ 20,00. E não era pequeno não. Era uma senhora posta de salmão, que Fofinha não agüentou comer. Foi o salmão mais barato que eu comi até então.

 

         Enfim, com barriga cheia, voltamos para “nossa casa”. A chilena (não lembro o nome de jeito nenhum), avisou que o ônibus passaria as 06:00hs e que o café será servido às 05:30hs.

 

         A maioria dos albergues, residenciais, etc, tem serviços de custódia. Custódia, nada mais é, do que guarda de equipamentos e mochilas. Se você não quiser sair com toda a sua bagagem montanha acima, melhor deixar lá. O serviço, no nosso caso, era free. Tem lugares que cobram.

 

         Por mais incrível que pareça, eles não mexem na sua bagagem; isso é relato meu e de vários viajantes que consultei com o mesmo receio. De qualquer forma, não deixei valores e tranquei a mochila com cadeado.

 

         Eram 05:00hs quando somos acordados. Tomamos o café; o frio está comendo e está muito escuro.

 

         Passa um pouco das 06:00hs, o ônibus chega. Colocamos as nossas bagagens nos acomodamos e, estamos de novo na estrada. Mais 03 horas de Puerto Natales até a entrada do Parque Torres Del Paine.

 

 

Rumo a Paine

 

 

 

 

Ficha de Ingresso para Paine: Ansiedade a 1000

 

 

 

         No próximo post:

 

– Família Murdock abaixo de 0ºC;

– Confusões com os chilenos: uma briga na montanha.

 

Familia Murdock: TDP Parte 1

16:38 @ 20/07/2006

 

 

 

 

         Olá viajantes, sejam bem vindos ao Parque Nacional Torres del Paine, localizado a 112km de Puerto Natales no Chile e, considerado por muitos, um dos lugares mais bonitos do mundo.

 

         Para onde se olhe, existe a beleza. Desde as imensas geleiras, até os picos e torres de granito que fazem parte do Macizo Del Paine e dão nome a cordilheira, passando pela imensa variedade de vida selvagem que é encontrada durante a sua estadia.

        

         O Parque

           

            O Parque Nacional Torres del Paine tem 242 mil hectares;  foi criado em 1959, num local onde anteriormente existiam fazendas de criação de ovelhas. Em 1978 foi declarado Reserva Mundial de Biosfera pela UNESCO.

 

         Com variações de altitude que vão de 50m até 3.050m acima do nível do mar, Torres del Paine é destino de mochileiros, trekeiros, alpinistas e mesmo turistas de todo o mundo.

 

         Dentro do parque, podemos encontrar guanacos, ñandus, zorros, condores, vários outros pássaros e até pumas; este ultimo mais difícil de ver (ainda bem).

 

 

Visao Geral

Guanaco

ñandus

 

 

         Clima

 

         Devido ao seu tamanho, cada setor do parque apresenta um microclima em particular, dependendo a altitude e de onde se estiver dentro do parque.

 

         Mochileiros experientes afirmam que a melhor época para conhecer o parque é na primavera e verão, quando podemos ter até 16 horas de luz solar, diariamente. Já no inverno, a situação se inverte: 17 horas de intenso frio e escuridão, além da neve que enche as trilhas e os circuitos de treking que são interrompidos.

 

         Ventos de até 100km/h são constantes durante todo o ano; chuvas de verão podendo haver também pequenas nevascas.

 

         Passeios

 

            Tem para todos os gostos e bolsos. Desde passeios de 01 dia de van, carro, até trekings de 01 a 12 dias em média, dependendo do seu ritmo e preparo. Além de poder alugar cavalos dentro do parque para conhecer o parque.

 

         Lembrando que os circuitos onde se chega a pé, não chega carro, moto, etc. Muitos consideram estes, os lugares mais bonitos do parque.

 

            Preparação

 

            Não vou mentir para vocês. Se você escolher fazer o treking acampando, é melhor se preparar fisicamente antes de ir. Embora não seja nada de outro mundo, requer sim, um certo preparo físico.

 

Pessoas acima do peso, com problemas cardíacos ou com problemas de pressão, ou mesmo com baixa tolerância ao frio, recomendo contratar excursões.

 

Nós nos preparamos fazendo treinos de musculação, valorizando exercícios para fortalecer os músculos das costas e pernas, e natação para melhorar o condicionamento cardiorespiratório.

 

Porém, tanto não é coisa do outro mundo, que encontramos senhores e senhoras, da melhor idade, durante a nossa trilha, carregando mochilas pesadas e passando por nós… Mas isso, conto mais abaixo.

 

Equipamentos

 

Peça importantíssima, para que sua viagem não se torne um pesadelo.

Coloco a seguir, uma lista que utilizei como base para fazer a nossa:

 

 

LISTA DE MATERIAL ACONSELHÁVEL PARA A CAMINHADA

Mochila cargueira de 70, 80 ou mais litros;

Capa para mochila ( proteção para chuva);

Bota de media montanha, preferivelmente impermeável, visto que a região possui muitas áreas com lama e neve;

Par de bastões de caminhada;

Canivete suíço;

Barraca para 4 estações, muitas marcas no mercado(não muitas no Brasil)a melhor sem sombra de dúvida é a americana the north face, no Brasil se encontram barracas da ferrino, serelepe, manaslú, kelty e outras;


Cozinha e limpeza:


Garrafa térmica de alumínio ou aço inoxidável para bebidas quentes como chá, café ou chocolate;

Cantil ou garrafa para levar água;

Fogareiro, são duas opções: os movidos a gás(butano ou butano – propano), utilizam cartuchos descartáveis. Podem ser usados perto da barraca ou mesmo nas varandas(com extremo cuidado). A segunda opção: são os alimentados por combustíveis líquidos, muito potentes, mas algo inseguros, os da marca MSR são os mais conceituados.(nos dois casos é necessário que se leve uma boa quantidade de combustível para toda a jornada);

Panela, uma que seja funda, mas que também não ocupe muito espaço na mochila;

Caneca de alumínio (leve);

Pratos não são necessários, visto que a panela fará sua função, além de ser um peso
desnecessário;

Talheres, somente não leve a faca, pois esta será substituída pelo canivete;

Frascos para os temperos (sal, pimenta, curry, etc…);


Esponja para lavar as louças;

Sabão biodegradável para lavar roupas;


VESTIMENTA PARA ESPORTES EM CLIMA FRIO

 

A vestimenta para esportes em clima frio é uma grande aliada para nosso conforto.Vestindo-nos da maneira correta, aproveitaremos melhor o passeio, desfrutamos de tudo e não sofremos tanto…

 

Tais roupas são feitas de tecidos sintéticos, que transportam o suor para fora, isolam nosso corpo do frio e nos protegem contra as inclemências do clima(chuva, vento e neve).

 

Existe um sistema de roupas para melhorar a eficiência dessas roupas, é o sistema das três camadas, onde nos vestimos em três diferentes camadas de roupa.

A primeira camada é a que levamos colada na pele, é fininha e super transpirante, geralmente feita de coolmax, power dry e semelhantes. São bastante encontrados no Brasil e não são tão caros…São realmente muito bons. Pode-se levar uma camisa e uma calça, a calça talvez não use para caminhar, mas com certeza para dormir irá usar, ela transpira seu suor noturno, ajudando e muito a aquecer seu corpo.

A segunda camada, a isolante, é feita de tecido do tipo polar, pode ser o polar tec (o melhor e mais caro) ou qualquer outro do tipo, possuem a aparência assim felpuda. Se puder, leve dois casacos desses…nos dias mais frios, quando estiver nos acampamentos, talvez necessite usar os dois. Outra opção para ficar aquecido nos acampamentos: um casaco ou jaleco de pluma de ganso ou um pulôver de lã(mais pesado).

A calça também será útil, principalmente para quando estiver parado nos acampamentos ou dentro da barraca-é um bom isolante.

 

A terceira camada é a impermeável, protetora- é o anorak, que te protege de tudo, é sua melhor amiga, inseparável! Também é a coisa mais cara, infelizmente. De todos os materiais, o mais conceituado é o GORE-TEX, testado e aprovado em todos os cumes do mundo. Algo importante é ela possuir um bom capuz, ter as costuras seladas e bom acabamento. Outras matérias: xalt, ultrex, triple point, etc.


CDica para os viajantes: Lista Sugerida:


Anorak impermeável e respirável;

Calça de suplex ou material semelhante;

Calça impermeável de material semelhante ao do anorak (alternativo);

Calça de fleece/polar tec ou semelhante para abrigar-se na barraca e nos acampamentos;

Camisa de polar tec grossa (200 ou 300) ou um casaco ou jaleco de pluma de ganso;
Camisa de polar tec mais fina(100);

Camisa primeira camada de material transpirável como coolmax ou power dry;

Alguns pares de meia para caminhada;

Par de luvas para media montanha (feitas de winblock ou polar tec são muito boas);

Gorro que se transforme em pescoceira;

Alguma camiseta de algodão;

Sandálias;

Lenço para o pescoço.

 

 

Dicas de Alimentação (por TrotaTorres)

 

         É claro que você precisa comer; uma boa dieta é o que vai fazer a diferença e repor as suas energias durante a sua caminhada.

 

Primeiramente gostaria de frisar que não sou nutricionista nem possuo formação do gênero, a lista de sugestões que descreverei são somente isso, sugestões.

 

O conhecimento que possuo é o adquirido com a experiência e a leitura de alguns livros especializados em alimentação na montanha; como os publicados pela editora espanhola desnível..

 

Durante o dia é preferível comer comidas leves e carregadas de fibras e carboidratos, além de fontes de energia.

 

Café da manhã:

 

·         Biscoitos

·         Cereais para um bom mingau: gérmen de trigo, aveia, farinha de trigo, etc.

·         Café ou chá

·         Sucos em pó pra variar um pouco o gosto das bebidas

·         Pão

·         Geléias

·         Extrato de soja(leite de soja)

·         Comidas rápidas para o dia:

·          Barras energéticas

·          Chocolates

·          Biscoitos

·          castanhas

A reposição das calorias gastas durante o dia deverão ser repostas na última refeição.

 

Jantar:

 

·         Massas em geral

·         Molhos diversos(tomate, creme de leite)

·         Muito queijo ralado(esse o item mais importante de uma longa expedição!)

·         Salame, queijos, doce de leite, leite condensado, atum, salmão em lata (muito comum no Chile),

·         Purê de batata semi-pronto;

·         Arroz;

·         O velho miojo!

·         Castanhas

  

CDica para os viajantes:  Algumas Sugestões:


1. Nesse item o que vale é o gosto de cada um, mas com certeza você não se arrependerá de levar coisas gostosas.

2. Nunca se esqueça de adequar seu gosto culinário às compras

3. Procure relacionar o custo(peso da mochila) benefício(quantidade e qualidade da comida)da alimentação, pois no parque você não terá muitas alternativas para a compra de comida, e as que existem são um verdadeiro roubo!

4. Lembre-se que você ficará até duas semanas com a comida que levar para o parque, por isso calcule bem a quantidade de comida que comprará e a que consumirá por dia

5. pense em levar coisas saborosas, pois não suportará passar vários dias comendo macarrão e purê de batata ou comidas desidratadas em geral.

6. BEBA MUITA ÁGUA! ANTES MESMO DE SENTIR SEDE.

  

Com o equipamento, a alimentação e o corpo em ordem, chegou a hora de escolher o circuito que vamos fazer.

 

            Os circuitos de Treking em Torres del Paine

  

Os mais famosos são 03:

 

  • O Circuito Grande: Duração em média de 10 dias
  • O Circuito W: Duração em média de 05 dias
  • O Circuito Torres del Paine: Duração de 01 dia

        Dentro do parque, e durante a caminhada, de qualquer circuito, encontramos, basicamente, 03 tipos de acomodações:

 

Abrigos ou refúgios: são cabanas, localizadas estrategicamente em alguns pontos durante a trilha; serve refeições, água quente, banho quente, vende mantimentos, e oferece pernoite. Não preciso dizer que os preços são absurdos…

 

Campings: existem várias áreas de camping dentro do parque. Essas áreas estão marcadas no mapa de treking que você recebe ao entrar no parque. Existem as áreas pagas e as gratuitas. Em geral, diferem pela infra estrutura. Banheiro, chuveiro, etc.

 

Hotéis: Yes, nos temos hotéis! Mas estes, só para aqueles que estão dispostos a pagar uma pequena fortuna. O que seria uma pequena fortuna? US$ 300,00 a diária. É daí para cima.

 

 

Hotel dentro do parque. Somente para Euros…

Refugio Chileno

 

  

Vamos conhecer melhor cada um deles:

 

 


 

Circuito Grande

 

         É o mais longo de todos. Consiste em dar a volta completa em torno das Torres del Painee dos Cuernos del Paine.

 

         O tempo necessário para percorrer os 86kms de trilha é, em média, de uma semana a 10 dias. Caminha-se em altitudes de até 1.400m.

 

         Abaixo um roteiro detalhado feito pelo amigo Trota Torres, altamente experiente em Paine e que nos ajudou muito durante toda a nossa viagem.

Vale lembrar que esse roteiro é apenas uma breve descrição dos pontos mais relevantes da trilha, jamais sendo um substituto para o MAPA treking do parque.

 

     

 

Mapa Circuito completo

 

 

 

 Parte1

 

      Laguna amarga- acampamento Seron -acampamento Coiron

 

Começa aqui a caminhada! tudo pronto? Recomendo caminhar devagar neste primeiro dia, com toda a tranqüilidade do mundo, o peso da mochila estará no máximo e suas pernas, todavia não acostumadas com o esforço. Além do mais há luz solar até às 22h.

É hora de andar, tudo começa na Laguna Amarga, em uma picada a direita logo após a ponte que segue na estrada (qualquer dúvida perguntar aos guarda-parques).

Conforme o mapa são 5h até o acampamento Serón (vale lembrar que os tempos assinalados no mapa são uma média de tempo caminhando-se em velocidade de marcha), esse primeiro trecho é bastante agradável e tranqüilo, caminha-se por longuíssimos campos de margaridas, em uma trilha mais do que óbvia.

Após árduas 5h de marcha chega-se ao acampamento Serón, bem no meio de um desses campos, o lugar mais parece de conto de fadas, mas lembre-se que o local é pago e com mais 3h você está no acampamento Coiron (grátis).

Se a opção é seguir (com todo meu apoio), continue seguindo a placa que indica a trilha. Quarenta minutos mais tarde, já beirando o rio Paine, começa-se a subir uma vertente de montanha, acompanhando a curva de nível, parece que a trilha vai dar a volta neste morro, mas na verdade ela segue para cima, em um corte para a esquerda, no topo deste morro, a trilha segue beirando a montanha e descortinando lindas vistas de glaciares que beiram o gelo continental já fora do parque.

Em duas horas chega-se ao acampamento Coirón. Esse acampamento fica na margem do rio Paine, é meio esquecido, mais utilizado por quem faz o circuito no sentido horário. 

 

Parte2

Familia Murdock: TDP Parte 2

16:42 @ 20/07/2006

Parte2

 

Acampamento coiron -refúgio Dickson 

 

Esse trecho é simples, algo em torno de 3h de caminhada, o único inconveniente fica por conta dos charcos, fique de olho nos troncos, serão uma ajuda para atravessar os pântanos. O refúgio é pago, mas oferece uma boa área gramada para acampamento. Com certeza a maior atração desse refúgio são as montanhas que ficam ao seu redor, belos picos graníticos ao fundo. Olhe bem, por que em poucos dias você estará do outro lado desses picos, no Vale del Francês. Por situar-se cercando a muitos glaciares e algumas passagens para o gelo continental, esse local possui um clima muito influenciado por eles, sendo frio e chuvoso. Em janeiro de 2001 quando estive por lá, ocorreu uma leve nevasca nos picos mais altos. 

 

 

 

Parte3

 

Refúgio dickson –  acampamento los perros  

 

A princípio esta trilha tem um desnível acentuado, chegando-se ao alto desta colina, se pode ver o Glaciar Dickson e outras paisagens deslumbrantes. Deste ponto se adentra em um bosque de lengas, onde você saltará mais de 1000 árvores (informações mais recentes de que voltou de lá, dá conta que essas árvores foram cortadas, facilitando a caminhada, mas na minha opinião degradando a natureza.) sendo em alguns pontos algo penoso. Em duas horas encontramos uma bela cachoeira incrustada num pequeno cânion, uma hora e meia mais tarde, sempre subindo o vale, atravessa-se um ponte, mais um pouco e chega-se à moraina do glaciar, siga as marcas laranjas nas pedras, 300m depois encontra-se o acampamento Los Perros já dentro do bosque. O acampamento é um pouco frio, por estar perto do passo Garner, possui uma cabana e um refeitório, sempre cheio de pessoas em busca do calor da lareira improvisada. Aproveite a estadia para dar uma olhada no maravilhoso glaciar Los Perros e no passo John Garner, o próximo obstáculo do circuito.

 

Parte4

 

Acampamento Los Perros – acampamento Passo John Garner 

 

Saia cedo para transpor o passo, e se o tempo estiver chuvoso, adie a subida, pois deve estar caindo bastante neve lá em cima. A subida em si não é nada muito exigente, somente a primeira hora é terrível, devido ao monumental charco! Por isso aconselho uma bota impermeável e polainas, ou tire a bota e suba de sandálias, se sente bastante frio com o pé metido na lama, mas pelo menos você não fica com a bota completamente molhada. A trilha começa dentro da área de acampamento, segue subindo o vale por dentro desse pântano, depois de uma ou duas horas se atinge a zona já sem mata e por seguinte seca… é hora de limpar o pé e botar a bota ( pra quem subiu de sandálias),  a partir daí começa um tramo muito bonito, em meio à lindos picos e caminhando-se na neve. Ao final da colina, está vencido o passo John Garner, basta descer ao próximo acampamento.

Já ia me esquecendo!..no final do passo você terá uma das mais belas visões de sua vida: o Glaciar Gray em toda a sua magnitude! Fantástica visão; respire fundo!  Voltando à trilha, agora é só descer, e descer muito até mais ou menos o nível do glaciar, ficando no acampamento escolhido. Nesse ponto cabe uma explicação, nos mapas do parque não fica claro quanto tempo leva do cume do passo até o “campamento paso”, por isso digo: são 1:30 até o antigo acampamento. (poucos lugares para montar barraca, muito inclinado) e mais 40m até o outro acampamento “paso” , no qual aconselho que fiquem.

 

Parte5

 

Acampamento paso – refúgio gray 

 

Nesse dia a caminhada segue pela trilha em direção ao lago Gray, sempre dentro do bosque e beirando o glaciar. Atravessamos vários leitos de rio, muitos escavam barrancos bem altos. Havendo nestas escadas para ajudar na subida. Depois de mais ou menos 4h se chega ao refúgio Gray (é pago).

O local é agradável, bem na margem do lago Gray, muitas pessoas acampadas. Você vai notar que a freqüência de pessoas é diferente, aqui já não são só trekkers acampados, mas há de tudo: pessoas que estão apenas indo conhecer o glaciar e também várias excursões. No refúgio vende-se comida, lanches e um vinho tinto, mas claro que te mostram uma arma! Tudo um roubo monumental. 

 

Parte6

 

Refúgio Gray- refúgio Pehoe – acampamento Italiano

 

Ás primeiras horas da caminhada são de subida, se podem ver belas imagens do lago e do glaciar Gray a medida que nos afastamos. Depois de duas horas se chega a quebrada de los vientos, um cânion que vai dar lá em baixo no lago Pehoe. Na beira do lago fica o refúgio de mesmo nome, meio sem nada para ver, e ainda com ventos de furacão por quase todo o dia, horrível para acampar. Daí saem barcos para o outro lado do lago, mas nós seguimos caminho, ainda faltavam 3 horas para o vale francês. Após passarmos pelo Pehoe, começa uma leve subida, lá em cima se podem ver as lindas cores do lago, um magnífico verde esmeralda. Logo os Cuernos estarão a sua frente, são de tirar o fôlego! Caminha-se mais algumas horas e chega-se ao acampamento italiano, bem na entrada do valle del Frances. O acampamento fica logo após a ponte, bem nas margens do rio del Frances. Do acampamento se pode escutar o rugido de algumas avalanches no glaciar Frances. Se o tempo estiver bom, dá pra ver, bem     acima do glaciar, o Paine grande, com seus 3050 m. No outro dia a pedida é uma caminhada até o fundo do vale Frances, são três horas subindo o vale, que te darão a oportunidade de admirar o glaciar Frances, os Cuernos e todas as outras montanhas da região, como cabeça de índio e aleta del tiburon. Não perca esta caminhada, é imperdível! 

 

Parte7

 

Acampamento italiano – acampamento Los Cuernos – refúgio lãs Torres 

 

Depois de caminhar tanto, falta apenas completar a circuito, são mais ou menos 5 h de caminhada, num sobe e desce suave . Em uma hora e meia se chega ao refúgio los cuernos, e com mais um estirão de 3 horas chegamos ao refúgio las torres. Não se espante, aí é a entrada o parque, você não estará mais isolado, carros, e muita gente  acampada, infraestrutura, um hotel…aproveite para tomar um banho quente( no banheiro do acampamento) e comprar um delicioso pão, vendido no quiosque perto do hotel. Mas de novo, cuidado, os preços são impressionantemente absurdos, cuidado com a carteira, querem te roubar.

 

Parte8

 

Acampamento Torres – Subida das Torres

 

Após singrar toda a cordilheira Paine com carga pesada às costas, esse dia será de férias para seus ombros…são mais ou menos 3, 4 horas de subida, pelo  vale de rio Acensio. O começo da trilha é o mais duro, com 50 minutos de subida bem íngreme, o desnível é acentuado. Vencido esse trecho, se adentra propriamente no vale, a trilha vai beirando a encosta da colina, sendo importante uma certa atenção, pois existem algumas passagens expostas, além de em alguns dias o vento estar muito forte.

Para se ter uma idéia, em janeiro de 98, passando por este local, fui jogado ao chão muitas vezes, ficando receoso de voar lá pra baixo. Então não tenha dúvida, se uma rajada lhe atingir, fique calmo, sente no chão e espere passar.

Após alguns minutos já se pode avistar a bela cabana do acampamento chileno lá no fundo o vale. Após a cabana do Chileno a trilha entra dentro de um bosque de lengas, são subidas e descidas, até chegar-se a base de uma moraina . São mais ou menos 30 min de “trepa trepa” nas pedras, sempre seguindo as marcações laranjas(características de todo o parque), pronto, você está na base das famosas torres del paine, aproveite a magnífica paisagem. Lá em cima em geral faz bastante frio, sendo comum uma chuva gelada (pequenos copos de neve), o vento é rasgante, várias pedras podem servir de abrigo para aquele lanchezinho.

 

CDica para os viajantes: Dicas: saia cedo, a chance de ver as torres sem nuvens é maior. Se lá em cima estiver fechado ou meio encoberto, não tenha dúvida em aguardar algumas horas, lembre-se que estamos num lugar especial e você não sabe quando terá a chance de retornar.

 

Última dica, para ir até a laguna amarga é só esperar o micro ônibus do refúgio que passa pela estrada todas as manhãs, é só mostrar a nota de pagamento do camping e economizar 7km.

 

 


 

 

Circuito “W”

 

É um dos mais percorridos por todos que vão a Paine. Demanda de 03 a 05 dias, dependendo do seu ritmo e das condições climáticas.

 

O seu ponto de partida é na hostelaria Las Torres e a caminhada termina no camping Pehoé, desenhando entre um ponto e outro um “W”, onde no meio está o Valle del Francés.

 

 

Torres del Paine: Circuito W

 

D

IA 1.

 

Descida na entrada Laguna Amarga, caminhada até o refugio e camping Las Torres, a partir daqui há duas opções, ou se arma acampamento e sobe-se até a base das torres, via vale do Acensio, com retorno no mesmo dia, ou sobe-se por essa mesma trilha o vale até o refugio chileno (fica mais ou menos no meio do caminho entre o refugio las torres e a base das torres) e, com todo o equipo, acampa-se ali e no outro dia se sobe até a base.

 

DIA 2 (ou 3 dependendo do itinerário escolhido).

 

Caminhada desde o refugio Las Torres até o acampamento italiano, bem na entrada do Valle francês, linda caminhada, cruzando rios, avistando lagos espetaculares, e sempre à sombra dos cuernos Del paine.

Pernoite no acampamento italiano.

 

 

 

 

 

 

Dia 3.

 

Subida do Valle Del francês e retorno ao acampamento italiano, que fica bem na sua entrada. Espetacular caminhada! Vistas de tirar o fôlego, tanto dos cuernos Del Paine, tanto de todas as montanhas que formam um anfiteatro no fundo do Valle, alem do aproprio glaciar, o francês que dá nome ao vale.

Pernoite no acampamento italiano.

 

DIA 4.

 

Caminhada até o refugio Gray, bem em baixo das paredes do glaciar de mesmo
nome – durante essa caminhada, duas horas depois da saída do acampamento italiano vc vai passar pelo refugio Pehoé, segue caminho, algo em torno de 4 horas mais de marcha até o Gray. Lindas vistas do glaciar! pode-se avistar ao longe toda a massa de gelo.

 

Dia 5.

 

Ou se descansa ai no refugio e acampamento Gray, curtindo o lago, vendo as pedras de gelo boiando… ou retorna-se para o refugio Pehoé, fim da jornada! Agora para voltar para Puerto Natales são duas opções: ou vai de lancha até o Pudeto, que está na beira da estrada e onde você pegará o ônibus (LANCHA CUSTANDO UMA VERDADEIRA FORTUNA!!!!!!!!) ou vai caminhando pelo Sendero de las carreteras(ou algo assim, só olhando o mapa) até o mesmo refugio pudeto…e retorna-se a Puerto Natales.

 

Em suma, eu reservaria de 6 a 7 dias para poder realmente fazer com calma e curtir sem pressa.

 

 


 

 

         Circuito Torres del Paine

         Saindo da portaria Laguna Amarga, o passeio pode ser feito em um dia. Ida e volta. É a melhor opção para quem não tem tempo disponível para ficar no parque, mas não quer sair sem fazer aquele treking.

 

         Siga da Laguna Amarga até Hosteria Las Torres; de lá, cruza-se o Rio Ascencio e caminha por mais umas 04 horas (ritmo rápido), até a base das torres. Daí, é só voltar.

 

         Leve um lanche e cantil. Durante a caminhada, você encontrará campings e refúgios, onde poderá pedir informações ou mesmo dar uma descansada e bater umas fotos.

 

 


  

Nossa Viagem

 

Inicialmente a idéia era fazer o circuito completo. 10 dias acampando. Mas isso se mostrou inviável, não podíamos dispor de tanto tempo e, mesmo querendo, nosso cronograma já estava atrasado devido aos problemas de transporte que tínhamos enfrentado até chegar em Puerto Natales; decidimos, então, fazer o W. Seriam 05 dias de um fantástico treking.

 

Paramos na portaria Laguna Amarga, onde todos temos que nos registrar, informar quantos dias iremos passar, qual o tipo de circuito que vamos fazer, etc. Além de pagar, é claro. E lá vão mais CP$ 10.000 cada um (chilenos pagam menos).

 

Os responsáveis pelos parque Nacionais Chilenos são os guarda parques (os nossos guardas florestais) e o órgão é o CONAF – Corporación Nacional Forestal del Chile. Os guardas são atenciosos. Dão algumas dicas rápidas e as normas do parque (não sair das trilhas, não entrar em cavernas, não alimentar o animais, só acampar em áreas determinadas, etc). Recebemos, também, um mapa de treking do parque. Este, essencial para se orientar dentro do mesmo, embora as trilhas sejam bem sinalizadas.

 

Depois disso, você vai encontrar um transporte até o ponto principal de início das trilhas. Custa CP$ 2.000 p/p mas te economiza ums 07kms de caminhada. Eu recomendo.

 

Pegamos a vã, descemos em um abrigo. A partir daí, escolhemos o tipo de trilha que vamos fazer, pois a mesma se divide.

 

Andamos um pouco e chegamos a hosteria Las Torres. Tem imensa área para camping e várias pessoas acampando.

 

Armamos a nossa barraca e vamos descansar. A vista impressiona: montanhas altas, com neve no pico. O clima está frio, mas suportável.

 

 

Base das montanhas onde acampamos

 

Comemos, e damos um rolé para nos ambientar. Voltamos, e fomos dormir.

        

Acordamos dispostos e ansiosos para iniciar a primeira perna do W. Sairíamos do Las Torres, até a base das torres que dão nome al parque. Acamparíamos no camping Las Torres.

 

Com isso em mente, desmontamos tudo e começamos a caminhada. Meu amigo, estava tudo bem até que começamos a subir a montanha. No mapa e nas placas, marcava uma trilha de 04 horas. Acredito que essas 04 horas, seriam sem mochilas, sem peso.

 

Bem, eu estava com 14kg de peso na mochila (barraca, sacos de dormir, isolantes, roupas, etc). Marta estava com cerca de 09kg (alimentos, fogareiro, panela, etc).

 

Uma coisa é andar com esse peso em terreno plano; outra é você estar subindo uma montanha, com o vento muito forte vindo contra a sua direção. Nós literalmente, não saíamos do lugar. O vento, fortíssimo, não deixava. O jeito era sentar e esperar o vento passar.

 

 

Na trilha. Olhem como é estreita

 

Com o vento e a medida que subíamos, vinha o frio. Outra parada para retirar os casacos e afins. Mochila (um pouco) mais leve, corpo mais pesado. Cada passada era uma tortura. Tinha medo de Marta passar mal com o peso; graças a Deus, se comportou muito bem (fisicamente).

 

E lá vão 04 horas de caminhada. Estávamos mais perto do topo, mas agora, a neve do cume das montanhas vinha junto com o vento. O frio começou a apertar. E Marta chegou ao seu limite. No meio do nada, começou a chorar. Queria sair de lá, queria ir embora, não queria mais dar nem um passo. Estávamos na metade do caminho, não tinha nada que eu pudesse fazer a não ser convencê-la de que precisávamos continuar caminhando, pelo menos até o camping Chileno, para passar a noite; não dava mais para voltar. Tínhamos que seguir em frente.

 

 

Recuperando o fôlego

 

No meio da sua crise emocional, passam velhinhos da melhor idade, com mochilas pesadas também, sorrindo e nos cumprimentando. Aos que vinham no sentido contrário, perguntava a quanto tempo ainda de caminhada até o Chileno (o mais próximo, segundo o mapa). “02, 03 horas”, respondiam.

 

Marta estava irritadíssima. Não queria continuar, não podíamos voltar. Eu, só podia ficar calmo e esperar ela melhorar.

 

Com muito custo, convenci a continuar. Estava ficando tarde, não podíamos ficar naquele impasse. Ficar parado não resolveria nada. Nem carro passava por lá.

 

As trilhas, são estreitas e, não raro, nos encostávamos na parede da montanha, para outro viajante, que vinha na direção contraria, passar. Por isso, aviso que aos que sofrem de labirintite, vertigem, etc. não se arriscar nesse passeio.

 

Andamos mais umas horas; Marta ainda chora, mas estava mais calma. De longe vejo a fumaça e uma cabana, dessas de madeira que vemos muito em filmes. Era o tal refugio Chileno; graças a Deus.

 

No fim, tinhamos subido mais de 1.200m de altitude.

 

Chegamos. Dentro da cabana tinha calefação. Que bom. O frio é muito grande.

Ao entrar, somos atendidos por um chileno, muito mal educado e impaciente; ele informa que o camping é pago: CP$ 5.000 os dois. Pelo que entendi, dava direito a usar a cozinha; mas como o chileno falava muito rápido, tanto em inglês, quanto em espanhol, eu teria entendido errado.

 

Vamos armar a nossa barraca. Marta vem me ajudar. Ainda está muito abalada emocionalmente; eu fiquei mais tranqüilo, pois pelo menos, agora tínhamos onde ficar e, caso ela precisasse de algo mais urgente, tinha como pedir ajuda.

 

 

Armando a nossa casa no campo

 

Barraca armada, sacos abertos, mochilas guardadas, tiro as panelas e a ração e entro na cabana para utilizar a cozinha que, até então, pensava que estava incluída no valor da diária.

 

O tal chileno não estava; no seu lugar uma outra, mas tão mal educada quanto. Pedi para usar o fogão. Ela perguntou se estávamos hospedados dentro do abrigo ou fora, na área de camping. Respondi e ela falou que a cozinha estava disponível “somente para hóspedes” e que a cozinha para camping, era lá fora ou poderia alugar um fogão se quisesse (também lá fora).

 

Bem, deixei Marta dentro do abrigo e fui lá para fora cozinhar. Para minha sorte, começa a chover. Eu não sei descrever o que meu corpo sentia. Era muito frio. Bem, arranjei um cantinho, embaixo da pia da lavanderia, onde podia ficar agachado e cozinhar ao mesmo tempo.

 

A água que saída do cano, era gelada, quase congelada. Demorou um bocado para a água começar a ferver. Enquanto cozinho, tiro as luvas e coloco perto da chama, na esperança de me aquecer. Nisso, passa um vulto correndo por mim. Era um campista chileno, procurando lugar para cozinhar. Ele perguntou se podia cozinhar ali e é claro que eu disse que sim.

 

Começamos a conversar e tal, trocamos uma idéia e logo, o jantar estava pronto. Prato do dia: macarrão com carne enlatada.

 

 

Amigos chilenos

  

Vou no abrigo e chamo Marta para vir comer.

Com certeza vocês já ouviram que toda comida é boa quando estamos com fome. Bem, estávamos com muita fome, mas deixa eu te dizer: foi o pior macarrão que eu comi em minha vida; comemos por pura obrigação porque meu amigo, tava ruim, viu? Imagine aí.

 

         Bem, após o jantar, Marta pede umas roupas para trocar e tal. Vou à barraca e entro no abrigo para entregar as roupas dela. Não sei porque, a tal chilena já estava nos olhando atravessado. Percebi que muitos campistas estavam jantando lá dentro. Cozinharam lá fora, e estavam comendo lá dentro, coisa que nós não fizemos, já que ela estava servindo o jantar.

 

         Marta vai ao banheiro; troca de roupa. Enquanto isso, eu estou lá fora tentando lavar a louça. Sem condições. A água congela as minhas mãos. A sensação é de mil facas, alfinetes, penetrando e saindo na sua mão, repetidamente. É horrível. Ninguém, ninguém me deu a dica de levar luvas de borracha para lavar a louça. No “cru”, te garanto que não dá.

 

         Guardo as panelas sujas mesmo e entro no abrigo. Agora é minha vez de me aquecer. Pois bem, estou sentado, tentando consolar Marta e eis que quem chega: a tal chilena que não sei o nome. E fala, em espanhol, que “iria precisar dos lugares; agora não, mas que iria precisar”.

Me fiz de doido, na esperança de Marta não ter ouvido ou entendido o que ela disse. Para minha falta de sorte, ela entendeu; e começou a chorar.

Aí, meu amigo, eu me esquentei. Levantei com toda a vontade que tinha para dar, no mínimo, uma rasteira na chilena.

Tinham vários campistas lá dentro, porque implicou conosco? Tomei ar e, quando estava indo para cima dela para dizer tudo, menos que ela era bonita (e não era mesmo), Marta me segura: “Deixe para lá”. Deixar pra lá!? Deixar pra lá!?

Quem me conhece sabe:sou o cara mais calmo do mundo, mas não pise nos meus calos, não fale mal de meus entes pelas costas e, principalmente, não ignore os meus direitos.

 

         Como Marta já estava com o emocional abalado, resolvi não criar confusão. Mas também não saí. Fiquei esperando ela se atrever a vir me tirar, coisa que ela não fez. Se viesse o tempo ia fechar.

 

         Este foi o nosso segundo susto nesta expedição.

 

         Deu a hora de dormir. Fomos para a nossa barraca. Quando abrimos o saco, que era para -15ºC, a surpresa. O saco estava gelado!!! E não deu conta. Tirei a bota, tirei a meia para colocar uma mais grossa. Nesse ínterim, a meia que eu estava usando, que deixei coisa de 30s no ambiente, praticamente congelou. O frio estava muito grande. Não conseguimos dormir direito; aliás, não conseguimos dormir. Lá para as tantas, começou a cair uma chuva de granizo. Granizo bem fininho, mas caiu.

 

         A temperatura era entre -4Cº a -8ºC daí para menos. Estava muito frio.

 

Amanheceu. Levantamos. Ora do café. Marta nem queria tomar café, estava com pressa para desmontar tudo e voltar para casa. Bem, muitos dos campistas já tinham se levantado e seguido viagem. Eu, vou entrando no abrigo para escovar meus dentes e usar o banheiro. Quem está na porta? (Dou 01 dólar para quem responder): Claro, a chilena. Que me diz que o banheiro estava cerrado.  Dou uma leve empurrada nela, tipo, sai da frente, ela vai para a frente da porta e diz: closed.

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