Curiosidades de Viagem: Dublin. Parte II

Olá viajantes, saudações!

A Irlanda é um país muito curioso, cheio de histórias e estórias, e percebi isso sempre que caminhei pelas ruas de Dublin e arredores.

No último post tratei sobre o Castelo de Dublin, particularmente sobre o seu portão principal.
Eu gostaria de continuar nesse local, mas desta vez falando um pouco sobre a Torre do Castelo, que é a única construção original do castelo.

Torre

A torre do Castelo de Dublin foi construída por ordem do Rei João da Inglaterra, lá pelos idos de 1200 para guardar a cidade, cujos muros circundavam a torre e protegia a cidade, logo após a Inglaterra ter expulsado os Normandos da Irlanda (que por sua vez já tinham expulsado os Vikings, fundadores de Dublin).

N_Dublin

A localização foi estratégica, já que os rios que cortam Dublin, criavam fossos naturais, dificultando a chegada aos seus muros.A_Dublin

De acordo o guia do walk-tour, depois que alguns bravos irlandeses cabelos-vermelhos liderados pelos irmãos O’Neill e Red Hugh O’Donnell expulsaram os ingleses dessas bandas (uma das  vezes), ainda pelos idos de 1590, E TOMARAM O CASTELO, eles receberam dos ingleses uma proposta de paz, reconhecendo que eles eram os donos das terras e para selar a “paz”, nada melhor que uma grande festa.

E foi uma grande festa mesmo. Entre Irlandeses e Ingleses. 3 dias e 3 noites de muita bebida e comida.
E tanta bebida e comida assim, só pode ter uma consequência: uma senhora ressaca.

E quando os irmãos O’Neill e Red Hugh O’Donnell acordaram… perceberam que estavam em um local bem peculiar: dentro da Torre de Dublin, que tinha se transformado em uma prisão, ainda durante o domínio inglês.

O que os ingleses não contavam era com o conhecimento dos Irlandeses sobre a sua própria terra.
E os irmãos sabiam que sob a torre passava um rio, que seria a porta de saída deles.
E eles cavaram, cavaram, cavaram… meses e meses a fio, até que finalmente chegaram ao rio e conseguiram escapar, a meia noite de 06 de janeiro de 1592.

A essa altura, um dos irmãos O’Neill já tinha morrido no cárcere. Agora eram somente o Art O’Neill e o Red Hugh, em uma rota de 50km na pior época para escapar de uma prisão: o inverno.

rota

(Rota da Fuga)

Art não resistiu a trilha e ao rigoroso inverno Irlandês e morreu no caminho.
O’Connell sobreviveu, mas pagou alto preço, com a perda de todos os dedos de um dos pés. Mesmo assim, reuniu um exército e voltou para reconquistar sua cidade.

E – pasmem! – ele teve sucesso! Conquistou sua terra novamente!

No meio da comemoração veio um inglês, com uma taça na mão, oferecendo-lhe em brinde.
E neste momento, conta o guia (e também imagino que foi assim), O’Connell relembrou tudo que passou desde a última vez que um inglês tinha lhe oferecido um brinde: “acordou na prisão, realizou uma fuga homérica, perdeu os  amigos e ele mesmo quase perde a vida…”  Então ele pegou a taça, bebeu o conteúdo… e morreu envenenado.
É… pois é…


Contudo os Irlandeses são muito orgulhosos dessa façanha e da sua própria história, a ponto que alguns malucos tentaram fazer o mesmo caminho de O’Donnell e O’Neill nos dias de hoje.
Eles postaram tudo nesse blog, que também contém um podcast contando um pouco da história.

Atualizado: Acabei de  descobrir que existe uma competição anual para refazer esse caminho de 50Km: O Desafio Art O’Neill. Quer participar? Inscreva-se aqui


Fontes pesquisadas (todos em inglês):

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2 comentários sobre “Curiosidades de Viagem: Dublin. Parte II

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